A reforma indispensável
por
Antonio Carlos Del Nero
Um
recente relatório do Banco Mundial revelou que uma
empresa no Brasil precisa dedicar 2.600 horas por ano para
pagar os seus tributos. Esse fato faz o país ocupar
o último lugar entre as 177 nações pesquisadas.
Ser empresário no Brasil significa ter o governo como
sócio. As regulamentações tributárias
são complexas e dificultam a vida dos contabilistas.
Freqüentemente, pequenos empresários vão
à falência. Alguns optam pela “informalidade”,
termo que significa sonegação de tributos. Além
dos impostos trabalhistas e as contribuições
à previdência, as empresas têm de lidar
com os impostos estaduais sobre as vendas, bem como com inúmeros
outros impostos sobre vendas, lucros e folhas de pagamento,
nos níveis municipal, estadual e federal. Os consumidores
brasileiros pagam nos seus gastos do cotidiano vários
tributos ‘invisíveis’ que oneram a cadeia
de consumo de produtos básicos, como o pão e
o leite. A carga fiscal no Brasil vem aumentando sistematicamente
nos últimos anos, tendo chegado a de cerca de 37% do
PIB (Produto Interno Bruto). Alguns tributos são pagos
à União e repassados aos Estados, outros são
distribuídos dos Estados para os Municípios,
e há ainda aqueles que são transferidos dos
Estados para a União para depois serem redistribuídos
aos Estados. É um fluxo tributário complicado
e desnecessário que carece ser simplificado.
Por
tudo isso a reforma tributária foi enviada ao Congresso.
É de bom grado salientar que reforma tributária
é uma questão difícil e necessita ser
debatida e enfrentada pelo Congresso Nacional em regime de
extrema urgência e necessidade. A reforma envolve 27
diferentes estados brasileiros, com problemas regionais complexos.
Interesses que não chegam aos nossos conhecimentos
podem colocar em segundo plano a vontade dos congressistas
em aprová-la ainda este ano. A boa fase econômica
brasileira vivenciada nos meses recém-passados é
outro fator que pode atrapalhar a reforma, pois a arrecadação
cresceu mês a mês. O excesso de medidas provisórias
que o Poder Executivo envia ao Congresso é outra pedra
de tropeço para a reforma tributária. Mundialmente
explode imensa crise financeira e econômica e o seu
impacto já abala o nosso mercado. Não é
mais hora para discutir reformas de longo prazo de implementação
e com inúmeros pontos extremamente temerários.
A recessão e a deflação já são
assumidas pelos países ricos, que adotam postura de
temor e de respostas rápidas para injetar capital no
mercado. De acordo com economistas, criar postos de trabalho,
reduzir impostos e juros são medidas indispensáveis.
Dizem ser esta uma crise sem precedentes e que mudará
completamente as estruturas econômicas mundiais. Os
países mais pobres serão os mais atingidos,
inclusive pela fome. Enquanto algo de concreto não
acontece no Congresso Nacional, por parte de deputados e senadores,
todos os esforços devem estar concentrados em medidas
rápidas e corajosas para reduzir os danos da crise
em nosso País. A reforma tributária tornou-se
indispensável.
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