O fogo e o meio ambiente
por
Antonio Carlos Del Nero
Copenhague,
na Dinamarca, foi o local escolhido para uma reunião
global de dirigentes de Estados, batizada de COP15, para discutir
temas de meio ambiente no sentido de substituir o tratado
de Kyoto, firmado no Japão há alguns anos e
que por motivos econômicos não foi aderido por
países como os Estados Unidos, China e outros mais.
A pauta desta reunião é a discussão de
medidas no sentido de salvar a vida no planeta ou pelo menos
amenizar efeitos das mudanças climáticas que
estão afetando todo o globo terrestre. Estudos indicam
que o efeito estufa é o vilão da temperatura.
Por outro viés, alguns cientistas alegam que certos
dados que comprovam o aquecimento da Terra foram manipulados.
A justificativa é que a descoberta do termômetro
para medir a temperatura é recente se comparada com
a vida do planeta. Como provar então que a temperatura
global era mais baixa há milênios sem termômetro?
Como a vida na Terra é evolutiva, como provar então
que a mesma já não passou por períodos
de aquecimento e resfriamento? A verdade inconteste é
que sentimos na pele os efeitos do aquecimento. Um estudo
que chama a atenção é o de um grupo de
pesquisadores de diversas universidades do mundo que chegou
à conclusão de que as queimadas são responsáveis
pela emissão de dióxido de carbono (CO2) igual
a 50% do que é liberado pela utilização
de combustíveis fósseis. Esses nobres cientistas
estimaram que o desmatamento, seguido das queimadas, está
contribuindo com cerca de um quinto das emissões de
gases do efeito estufa provocadas pelo homem, e essa percentagem
estaria se tornando maior a cada dia. Quando a vegetação
queima, libera todo o carbono que possui armazenado como resultado
de seu processo de fotossíntese, contribuindo assim
para o aquecimento global. E quando se fala em queimadas,
o Brasil entra no contexto.
No
nosso país, principalmente na Amazônia, as queimadas
são feitas para preparar a terra, já que para
cortar a vegetação e prepará-la sem queimar,
seria preciso maquinário, tempo e dinheiro. O acesso
a financiamentos para compra de tratores é restrito
e é uma das causas deste nefasto procedimento de agressão
ao meio ambiente. Em nossa região, que é considerada
desenvolvida, estão instaladas várias usinas
de processamento de cana. No entanto, de quando em quando
nos deparamos com outro produto imediato das queimadas, além
do maléfico CO2: são as fuligens que sujam as
nossas casas. É o terror das donas de casa que veem
da noite para o dia o trabalho da limpeza doméstica
redobrado. O corte da cana-de-açúcar é
facilitado se antecedido por queimadas que retiram a folha
da cana abreviando o procedimento. Vale ressaltar que essas
queimadas, apesar de proibidas, reiteradamente acontecem,
intencionalmente ou não, e o fogo das queimadas está
sendo considerado um dos principais catalisadores das mudanças
climáticas. Esse estudo é um chamado às
nossas consciências para que todos nós avaliemos
melhor o papel do fogo na biosfera. O estudo é um alerta
e precisamos enfrentar e combater também hábito
de queimar no fundo do quintal aquilo que não mais
nos interessa. Esse hábito é prejudicial ao
meio ambiente. Certamente as queimadas que ocorrem ao redor
de nossa cidade contribuem para o resultado desagradável
e triste dessa pesquisa e as autoridades públicas precisam
estar atentas. Essa parcela de culpa pelo efeito estufa precisa
ser eliminada.
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