A crise e a lição tributária

por Antonio Carlos Del Nero

A administração do presidente Lula elevou a carga tributária do país, no período de seis anos, de 32% para 35,8% do PIB - Produto Interno Bruto, conforme dados da Receita. Os números são astronômicos. O montante tributário arrecadado em 2008 é de R$ 1,03 trilhão, equivalente a 35,8% do PIB. Em 2007, os contribuintes dos entes federativos (União, Estados e Municípios) pagaram 34,72% do PIB. Mas, por conta da crise econômica, esses números deverão cair. De acordo com estudo da Receita Federal divulgado recentemente, a base da tributação federal aponta que no ano de 2008, bens e serviços foram responsáveis por 48,44% da arrecadação. A folha de pagamentos, respondeu por 22,45% do total, a renda (20,45%), propriedade (3,18%) e transações financeiras (2,04%). A repartição do bolo tributário, segundo a Constituição, permitiu que a participação da União na arrecadação de 2008 ficasse com 60%. Nos Estados houve uma pequena queda, de 25,8% para 24% e, nos municípios, ocorreu um salto de 4,6% para 16% do total. Considerando a carga tributária como proporção do PIB, os entes federados tiveram aumentos em 2008. A carga federal foi de 24,92%, o que mostra aumento de 0,59 ponto percentual (pp) sobre o ano anterior. Os Estados ficaram com arrecadação equivalente a 9,23% do PIB (0,43 pp) e os municípios tiveram 1,64% (0,05 pp). A comparação com 2007 indica que, no ano passado, o aumento de 1,08 pp verificado na carga tributária bruta decorre de pequena queda na participação da União no total arrecadado e leves aumentos para Estados e municípios. A receita do governo federal (R$ 720,13 bilhões) passou de 70,08% do total para 69,62%. Os Estados (R$ 266,73 bilhões) saíram de 25,36% para 25,79%. Nos municípios (R$ 47,53 bilhões), o movimento foi de 4,57% para 4,60%.

A atual carga tributária bruta é elevada para o nível de desenvolvimento do país. Com a crise mundial em pleno vapor, o governo federal tem concedido várias desonerações tributárias em setores vitais da economia brasileira, como redução do IPI dos carros, da linha branca de eletrodomésticos etc. Tal iniciativa digna de elogios tem abrandado a crise no nosso país, movendo a economia. Se a desoneração tributária é o remédio aplicado em tempos de crise e faz a economia rolar, as perguntas que ficam no ar são: será que a desoneração tributária seria boa só para a crise? Será que a economia sem crise teria uma melhor performance com uma tributação menos onerosa? Será que a crise serve para mostrar ao governo que a arrecadação pode crescer mais pela produtividade e não pela simples fórmula tão usualmente empregada, ou seja, aumento da arrecadação em função do aumento da carga tributária? Estudos apontam que com uma carga tributária menos elevada, a produtividade pode aumentar e a conseqüência seria o aumento da arrecadação sem pesar no bolso do contribuinte. Tomara que a crise sirva como exemplo para fixar essa lição na conduta dos administradores brasileiros e que não seja uma simples solução empregada em tempos difíceis.

 

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